Desempenho acústico na Norma de Desempenho

A Norma de Desempenho brasileira, ABNT NBR 15.575, está em vigor desde 19 de Julho de 2013, sendo válida para projetos protocolados a partir desta data. A referida norma, aplicada a edificações habitacionais, trata da eficiência das estruturas prediais do ponto de vista da segurança, sustentabilidade e habitabilidade. No campo da habitabilidade, por exemplo, a NBR 15.575 define parâmetros, requisitos e metodologias de avaliação do desempenho lumínico, térmico e acústico da edificação.


A Norma de Desempenho é um divisor de águas na construção civil do Brasil e o segmento da acústica se fortaleceu muito, pois até então era comum não valorizar esta área ao se projetar e construir edificações residenciais. Vale registrar, que existem Normas de acústica no Brasil desde a década de 80, a exemplo da NBR 10.152 (revidada em 2017) que estabelece níveis de conforto sonoro nos ambientes internos, e da NBR 10.151 (revisada em 2019) com foco nos limites sonoros aceitáveis fora das edificações. Entretanto, a NBR 15.575 é a primeira Norma Brasileira que apresenta requisitos de isolamento acústico. Em outras palavras, ela nos informa o valor mínimo de desempenho acústico que as vedações verticais (paredes, fachadas, janelas) e horizontais (lajes, pisos, coberturas) da edificação devem apresentar para atenuar o ruído proveniente do meio externo ou de ambientes adjacentes ao da unidade habitacional avaliada.




Porém, esta norma, apesar de sua obrigatoriedade, não possui um órgão específico que verifica a obra para saber esta está adequada ou não à 15.575. Esta vigilância e exigência pode ser feita a qualquer momento por qualquer pessoa sendo ela o dono do empreendimento, o usuário, arquiteto, engenheiro, etc. O usuário do empreendimento que se sentir lesado, ou notar que a obra em que investiu não se enquadra dentro da Norma de Desempenho, pode acionar os meios judiciais, a empresa que realizou a entrega e a confecção da obra para que a adequação seja feita.



De forma geral, do ponto de vista do conforto sonoro, os parâmetros mínimos obrigatórios da Norma de Desempenho brasileira ainda são considerados muito permissivos quando comparados com os de outros países, mas já é um grande passo no entendimento e da relevância da acústica para a qualidade construtiva. Afinal de contas, proporcionar isolamento acústico em paredes, fachadas, pisos e tubulações hidráulicas, antes de qualquer coisa, significa a busca por ambientes adequados e saudáveis.

É importante garantir a minimização da propagação de ruídos que passem de um apartamento para o outro, de forma a ter um ambiente saudável para o usuário.


Desde quando começou a vigorar, a NBR 15.575 estimulou o desenvolvimento de novos materiais e soluções construtivas e fomentou a demanda por consultorias nas áreas do conforto ambiental: acústico, térmico e lumínico. Hoje, muitos escritórios de arquitetura, construtoras e incorporadoras tem solicitado o estudo técnico prévio do empreendimento, perante os parâmetros da NBR 15.575, ainda na fase de projeto. Esse é o melhor momento para a consultoria especializada entrar em ação!

A consultoria acústica para atendimento da NBR 15.575 trabalha com a análise do projeto arquitetônico e estrutural, coletando os dados e ensaios de laboratório dos componentes construtivos previstos para a edificação e aplicando métodos de cálculo e simulações para prever o desempenho acústico de uma edificação antes mesmo da sua construção. Como são muitas variáveis trabalhando ao mesmo tempo em sintonia com a volumetria dos ambientes, é imprescindível o uso de ferramentas digitais como planilhas e softwares específicos. Desta forma, é possível avaliar com maior precisão o desempenho da edificação em relação ao ruído aéreo e de impacto.


Sobre a avaliação do ruído aéreo (pessoas conversando, TV ligada, choro de bebê, etc.) quanto maior for o índice de isolamento das vedações, melhor será o resultado. Uma parede que alcançou um desempenho de 45dB (decibels) é melhor do que outra que obteve 40dB. Já com relação ao ruído de impacto (queda de objetos, arrastar de móveis, pessoas andando, etc.) quanto maior for o nível de ruído registrado, pior será o desempenho. Uma laje que permitiu a transmissão de um ruído de impacto de 80dB é pior do que outra que transmitiu 65dB.


Uma vez identificados os “pontos fracos” e as situações mais críticas da edificação, a consultoria acústica estuda as alternativas de intervenção projetual ou construtiva para que o atendimento aos parâmetros de desempenho seja alcançado. Repensar a forma de projetar e definir algumas alterações nas tipologias construtivas demanda dedicação e tempo. Portanto, é fundamental que se pense na consultoria acústica logo no início do projeto, atentando-se à problemática do som e a sua incidência nas diferentes partes, para que os problemas sonoros das edificações possam ser prevenidos e o resultado seja otimizado e personalizado.


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Artigo escrito por Debora Barreto e Felipe Paim. Ambos trabalham na Audium - www.audium.com.br

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