Gerando impacto social em escolas agrícolas

Como forma de buscar estratégias para reduzir o desmatamento e tornar possível uma produção com alto nível de sustentabilidade no estado do Tocantins, foi idealizado o programa “Campo Sustentável”. O projeto foi coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Tocantins (SEMARH/TO), e teve como objetivo incentivar um modelo produtivo de ILPF – Integração lavoura-pecuária-floresta - no Estado do Tocantins e capacitar tecnicamente profissionais e fazendas para atuação no desenvolvimento de módulos no Estado. Um dos componentes do projeto, foram ações sociais de difusão de conhecimento e estruturação de 3 escolas agrícolas do estado para difundir sistemas ILPF, principalmente promovendo o uso sustentável da terra tanto nas pequenas propriedades das famílias dos jovens estudantes que em maioria são assentados, como promover o conhecimento desses jovens que integrarão o mercado de trabalho como técnicos agropecuários aptos a trabalharem em diferentes propriedades rurais.


A Seed foi contratada para desenvolver esse projeto em 3 meses de trabalho, e o processo de desenvolvimento das atividades contou com diversas etapas, desde a visita inicial, comunicação com os gestores das escolas até a capacitação e formação prática dos alunos por meio da implantação dos viveiros e módulos de ILPF. No período de 3 semanas, implantamos os 3 viveiros florestais com área total de 656 m², envolvendo mais de 100 alunos, produzindo mais de 10.000 mudas florestais e implantando um módulo de 1,5 ha de ILPF. Com as atividades desenvolvidas foi possível entender desafios existentes nas escolas agrícolas, identificar oportunidades de desenvolvimento de práticas sustentáveis, e proporcionar trocas de experiências entre as 3 escolas participantes: Colégio Família Agrícola Jose Porfirio de Souza (São Salvador/TO), Escola Família Agrícola (Esperantina/TO) e Escola Família Agrícola (Colinas/TO).


A primeira etapa desenvolvimento do projeto foi a realização de uma visita para entender a realidade das escolas nos seguintes quesitos: infraestrutura, ferramentas e insumos. Na sequência, para cada escola o projeto teve suas atividades desenhadas em conjunto com a equipe de professores e monitores, priorizando sempre a presença de mulheres como líderes de campo e operação, que vai de encontro com o objetivo de desenvolvimento sustentável (ODS) 5, que visa alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.


Nesta etapa do projeto, áreas e viveiros foram visitados para entendimento da melhor estratégia a ser desenvolvida para cada escola. As contrapartidas das escolas foram as de manter o compromisso de envolver o máximo possível de alunos na capacitação, construção e produção das mudas definidas em conjunto e disponibilizar corpo técnico de professores e monitores comprometidos para atuação prática do projeto.

Após essa etapa e definição da equipe envolvida em cada escola, foi criado um grupo de trabalho que operou substancialmente via whatsapp®, com o objetivo de dar agilidade a comunicação e andamento do projeto. As atividades de entendimento de quais ferramentas e equipamentos cada escola precisava e orçamentos também foram realizados principalmente através desta plataforma. Paralela a estas atividades ainda nesta etapa, foi elaborado um projeto de viveiro, com quantificação de materiais e insumos necessários para que os viveiros fossem 100% finalizados ao final do projeto. As espécies utilizadas na produção das mudas também foram escolhidas em conjunto com as equipes envolvidas e prioritariamente definidas espécies nativas, como caju, cajá, mangaba, jatobá, ipê amarelo, copaíba, cedro, cega machado, angico e tingui.


Em meio ao êxito das atividades junto às escolas família agrícolas, pudemos observar e resumir os cenários abaixo:

Colégio Família Agrícola José Porfírio de Souza – São Salvador/TO: O viveiro de 81m² foi construído do zero, em 3,5 dias com uma média de 20 pessoas envolvidas diariamente. Além disso, foram produzidas cerca de 2.500 mudas de espécies nativas. Uma das dificuldades para o início das atividades foi a mudança da localização do viveiro onde foi necessário instalar um sistema de irrigação, adicionando 150m de irrigação enterrada devido à localização da caixa d’água, além de adquirir novos materiais. Outro fator de dificuldade, foi a implementação do projeto em época de férias de final do ano dos alunos, mas podemos destacar que o engajamento do corpo diretor da escola, em conjunto com professores e membros da comunidade foi tamanho que apenas nesta escola tivemos professores e pais de alunos como voluntários participando ativamente da capacitação e do mutirão de construção do viveiro e produção de mudas.

Escola de São Salvador no início dos trabalhos.

Escola de São Salvador após finalização do viveiro.


Escola Família Agrícola do Bico do Papagaio Padre Josimo – Esperantina/TO: O viveiro de 200 m² já tinha uma estrutura metálica montada, com pequena parte do sombrite instalado e estava tomado por capim alto dentro e fora de toda a estrutura. Todo o trabalho de deixar o viveiro operando, foi realizado em 4 dias, com média de 15 pessoas envolvidas diariamente. Além disso, foram produzidas cerca de 3.500 mudas de espécies nativas. Um fator de dificuldade durante a construção do viveiro e produção de mudas, foi a distância da localização da produção de mudas do viveiro, precisando de um esforço grande no transporte das mudas. Além disso, o corpo docente foi distante do projeto, o que gerou muitas dificuldades de implantação como baixo engajamento dos alunos e falta de materiais como terra disponível para preparo do substrato dos saquinhos. Outro desafio foi a estrutura metálica existente do viveiro que não é uma estrutura comum para trabalhos na região, que em geral são construídos em madeira tratada.


Escola de Esperantina no início dos trabalhos.

Escola de Esperantina após finalização do viveiro.

Escola Família Agrícola Zé de Deus – Colinas/TO: O viveiro de 375 m2 já tinha uma estrutura em madeira montada, mas em péssimas condições. A primeira dificuldade foi um desgaste grande da estrutura de madeira em relação ao que havia sido verificado durante a visita de reconhecimento da escola, sendo necessário trocar algumas vigas e aplicar cupinicida. Todo o trabalho de deixar o viveiro operando, foi realizado em 2,5 dias, com média de 60 pessoas envolvidas diariamente. Além disso, foram produzidas cerca de 5000 mudas de espécies, sendo o maior número de mudas dentre todas as escolas. Um fator de dificuldade durante a construção do viveiro e produção de mudas, foi a distância mantida pelo corpo docente das atividades realizadas, inclusive no momento de comemoração de conclusão do viveiro, que aconteceu em todas as escolas, e nesta foi realizado sem a participação do corpo de professores ou qualquer responsável pela escola.


Escola de Colinas no início dos trabalhos.

Escola de Colinas após finalização do viveiro.

As atividades desenvolvidas em todas as escolas para implantação dos viveiros de produção de mudas florestais, buscou capacitar todos os envolvidos no processo, como também ensiná-los sobre os vários aspectos referentes as suas futuras profissões. Os três viveiros executados e finalizados, servem agora como laboratórios para aulas do dia a dia destas escolas e capacitações em produção de mudas, além de possibilitar a implantação do componente arbóreo em sistemas ILPF, seja para produção de frutos, extração de óleo ou madeira para construção.


Abaixo registramos mais alguns momentos do projeto e da equipe.


Equipe Seed Solution posando para a foto.


Parte da equipe da escola de São Salvador durante a celebração final do projeto.


Publicamos um vídeo no youtube que mostra um pouco mais sobre o projeto e ilustra o impacto social alcançado em cada uma das escolas. Veja abaixo.



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